Prosperidade ao Custo de Nossas Vidas

Prosperidade ao Custo de Nossas Vidas

Prosperidade ao Custo de Nossas Vidas

Lara Lutzenberger - Veiculado em ZH em 09.06.25 • 09/06/2025

Por esses dias, o colapso de uma geleira soterrou em minutos a aldeia suíça de Blatten. Há um ano, uma inundação sem precedentes destruiu em pouquíssimos dias quase todo o estado do RS.

Qual a diferença entre esses episódios? Um foi em país pequeno, de elevada instrução, estrutura e senso de responsabilidade política. Outro, num país gigante, com desafios educacionais, estruturais e políticos imensuráveis de tão grandes. No primeiro, a população, seus animais e bens foram evacuados em tempo seguro e novo destino negociado coletivamente, minimizando os danos. No segundo, mais que nada, Deus e uma louvável rede instantânea de solidariedade entrou em ação para socorrer o possível, deixando um lastro de muita dor e prejuízos de toda ordem para trás.

Qual a semelhança? A emergência climática, que está na origem de ambas catástrofes e milhares mais que temos visto, colocando nossas vidas numa corda bamba onde até os melhores equilibristas são derrubados a toda hora.

Enquanto isso, prevalece a ideia de que podemos impor mais ritmo à corda, impulsionando negócios como se numa festa à meia-luz, em transe e sob sedutores cifrões cintilantes que prometem prosperidade absoluta e o mais lindo progresso. Assim, defende-se a flexibilização máxima de licenciamentos ambientais com a PL 2159, ridiculariza-se a Ministra Marina, maquiam-se dados sobre o Pampa, apresentando redução de desmatamento como sinônimo de preservação campestre e igualando a feição homogênea do pasto cultivado com a rica biodiversidade e serviços ecossistêmicos do nativo, entre tantas outras alucinações de festeiros pondo em risco a vida de todos nós.

Para eles, quem se opõe só pode ser retrógrado, sem noção e incompetente. Como se fartas contas os pudessem salvar do colapso. Como se estudos não comprovassem a correlação entre preservação ambiental, clima, paz e saúde. Como se prosperidade não fosse possível em termos mais sensatos e menos arriscados!

Lara Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.