A Quem Ouvir

A Quem Ouvir

Lara Lutzenberger - Jornal do Comércio em Junho de 2024 • 01/06/2024

Vejo, ajudo e busco por refúgios para driblar súbita inundação e drástica ruptura das condições de habitabilidade e circulação de 70% de meu estado. Uma enxurrada arrasou com o Rio Grande do Sul. Plantas, bichos e pessoas de todas as idades, obras de engenharia e da mais alta tecnologia; aonde a água veio com fúria, nada restou íntegro e tudo mudou para pior. Além de perdas e lutos, há contaminação e consertos que demandarão muito tempo e dinheiro. Mais dinheiro do que foi ganho na construção do destruído.

Enquanto tento assimilar o que sofro, lembro do Afeganistão, Indonésia, China, Quênia, Somália, Alemanha, Bélgica e França, também similares. Em abril, li que o mundo teria apenas dois anos para impedir um colapso climático. Se o que há já não é o colapso, o que o será? Que tempos terríveis temos pela frente?

Cresci sob alertas de meu pai. Tive o privilégio de conviver com pessoas genuinamente focadas em compreender a forma com que a natureza propicia a vida e quais suas vulnerabilidades. Compreendo que a ausência de vivências assim, permita algum ceticismo sobre a emergência planetária.

O que não concebo, é a louca insistência em negar e negligenciar as causas da crise instalada. Como atribuir à mera coincidência ou curso natural o que estamos vivendo com o anunciado há tantas décadas por análises sistêmicas e projeções matemáticas complexas? Já não basta a ausência de prudência de não avançar sob ameaça de riscos letais e há quem defenda seguir em meio aos escombros, travando uma luta de argumentos em parte ignorantes, em parte maquiavélicos e político-partidários, quando o que deveríamos todos, repito, todos, sem exceção, é evitar o pior.

A tempestade ruiu com nossos pilares. Antes que não reste nem chão, caberia abandonarmos a soberba e reconstruirmos com base na generosidade, humildade e absoluto respeito às leis implacáveis da natureza. Dentre os 8 bilhões que somos, há pesquisadores consagrados que podem orientar na retomada ética e estrutural. É a eles que devemos recorrer, apenas a eles!


Lara Lutzenberger - Presidente da Fundação Gaia – Legado Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.