Receita do Desastre

Receita do Desastre

Lara Lutzenberger - Veiculado em ZH em 13.05.2024 • 13/05/2024

Somos alertados há mais de meio século. Por meu pai, inclusive!

Em menos de 5 dias estabeleceu-se uma tragédia de dores imensuráveis. O RS está desesperadamente buscando sobreviver, apenas sobreviver!

El Niño precipitou mais chuva devido ao aquecimento que afeta até os oceanos. A Amazônia, no que lhe resta de área, evapotranspira umidade vital para o clima centro-sul brasileiro. Em condições normais, essa umidade se distribuía por imensa área geográfica, aportando, mais que nada, frescor. Entretanto, com a elevação nada discreta das temperaturas no Centro- Oeste, cujo pouco fôlego do Cerrado tem sido torrado por extensos monocultivos, os rios voadores se canalizaram junto aos Andes caindo com fúria sobre o Sul, que já vinha fragilizado por perda de florestas, campos e banhados e por ocupações urbanas inconsequentes. Várzeas naturalmente alagáveis e encostas frágeis foram ocupadas, adensamentos constituíram-se sem o devido cuidado com as estruturas de suporte para a segurança hídrica, alimentar e para circulação tranquila, que dirá evacuação segura dos habitantes. Evidenciaram-se descuidos primários e de longa data com manutenção e adequação das redes pluviais e de esgoto, menos ainda com diques de proteção de áreas alagáveis.

A ganância impôs um ritmo alucinante de competitividade empresarial, que ignora toda e qualquer noção de limite e bom-senso e festeja a boçalidade de seus consumidores. Governos e sociedades se orientam por uma cultura que aliena e cega para as reais necessidades humanas e planetárias.

Como aquecemos até os oceanos, 1o ingrediente da receita? Queimando combustíveis fósseis sem dó, alterando a configuração das paisagens e assassinando os seres invisíveis dos solos com venenos e adubos sintéticos. Paisagens manejadas e com solos vivos equilibram a reflexão solar, absorvem carbono e produzem alimento.

Tudo isso é sabido, mas pouco disso é considerado. Negligenciamos alertas por conveniência e por acharmos que a vítima será o outro.

Insistiremos nessa receita?


Lara Lutzenberger Presidente Fundação Gaia – Legado Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.