A Carne do Pampa

A Carne do Pampa

Lara Lutzenberger - Veiculado em ZH em Janeiro de 2024 • 01/01/2024

A alimentação impacta paisagens, a fertilidade dos solos, a vida de outros seres, nossa saúde nutricional e o clima com todas suas implicações adicionais.

O ser humano é onívoro. Desde seus primórdios alimenta-se de plantas e animais. Antes colheu, pescou e caçou, agora cultiva e cria. Passou também a imitar texturas e sabor proteico através do processamento industrial de fontes vegetais e da cultura celular.

O gado é herbívoro, constitui o seu organismo a partir da ingestão de pasto e aos carnívoros, que não o comem - só deitam e rolam na grama, o transforma em proteína nobre. O ideal do gado é estar sobre pastagens diversificadas, mais saborosas e nutricionais, como as do Pampa, cujas coxilhas suaves com horizontes a perder de vista, moldaram o imaginário e a cultura gaúcha. O nosso deveria ser o de preservar isso. O Pampa sem o gado deixará de ser Pampa; ambos estão vinculados em sua existência.

Mas e o pum do bicho? Metano que aquece o clima? Num campo nativo vigoroso, com uma lotação de gado adequada, o metano é recapturado no crescimento das plantas fertilizadas pelo esterco, numa equação equilibrada e vantajosa para todos. Também na propriedade colonial, o gado aporta leite e carne enquanto pasta e aduba para pequenas lavouras.
O problema está nos sistemas intensivos de criação, que além de prender e sacrificar animais cruelmente, os alimentam com a mesma soja das dietas vegetarianas, semeada sobre os outrora campos silvestres, sobre o cerrado ou, pior ainda, sobre a Amazônia derrubada para esse fim.

O avanço voraz das monoculturas mata milhares de espécies.

Alimentar-se de gado confinado ou de formulações sintéticas ultra processadas, repletas de aditivos químicos e à base de plantações que arrasam paisagens, as crendo análogas à proteína animal, requer avaliação mais criteriosa. A carne do Pampa numa dieta acrescida de frutos, vegetais e grãos variados é nutritiva, diversifica ecossistemas, sustenta produtores rurais, animais tranquilos, biomas incríveis, nós e o clima saudáveis.


Lara Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.