Coronavírus: Nem só Vilão

Coronavírus: Nem só Vilão

Lara Lutzenberger - Veiculado em Zero Hora em 13/04/2020 • 13/04/2020

Há tempos que certos hábitos e sistemas, vistos como conquistas ou esquemas indispensáveis, fragilizam-nos.

Comércio excessivo de bens descartáveis gera poluição industrial e lixo tóxico. Substâncias sintéticas confundem nossos hormônios ao impregnarem a cadeia alimentar e nossos corpos. Rotas áreas e terrestres, congestionadas por movimentações desnecessárias e uso inconsequente de veículos automotores, deixam rastro de poluição sonora e atmosférica, adoecendo mentes e pulmões. Horizontes monoculturais sem fim, produções intensivas e distantes têm menor resiliência a intempéries e pragas e menor acessibilidade, portanto arriscam deixar-nos com fome. Também fragilizam o espírito ao tirar o encanto das paisagens, extinguem espécies e geram contaminações sistêmicas.

Todas essas situações alteram perigosamente o clima e nossas condições de vida!

Na esfera laboral, regras engessadas favorecem conflitos judiciais e impactam rotinas domésticas e familiares. Compromissos e ambições ilimitados deixam-nos extenuados. Individualismo exacerbado acaba em solidão. Educação e igualdade social negligenciadas marginalizam e apontam armas. Setor público inflacionado é ineficiente e insustentável. Privatização de serviços essenciais exclui impiedosamente. A busca do crescimento econômico por si, maior mantra da modernidade, não garante sociedades equilibradas, nem felicidade e muito menos saúde.

O sofrimento e a morte nos rondam em várias frentes, apenas que a face e agilidade do vilão se fundem nelas e nos confundem!

Há tempos precisávamos de uma quarentena. Fatos, teorias, alternativas, nada, mas nada, parecia capaz de mudar nossa rota catastrófica! Apenas Coronavírus, do alto de sua coroa invisivelmente microscópica, ao estabelecer uma ameaça de vida imediata e de autoria inquestionável, conseguiu frear-nos! Aos que sobrevivermos agora, caberá enfrentar o que por tanto tempo desmerecemos e constituir uma civilização que faça jus à altura da humanidade!


Lara Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.