Mina Guaíba

Mina Guaíba

Lara Lutzenberger - Veiculado em Zero Hora em 03/02/2020 • 03/02/2020

Porto Alegre, capital gaúcha com tão convidativo nome, há tempos que é negligenciada em disputas pouco alegres. Com o Largo dos Açorianos, recuperamos espaço turístico e histórico da Praia de Belas e na orla temos lazer e contemplação destacados por magnífico pôr do Sol no Guaíba e Parque Estadual do Delta do Jacuí.

Hipnotizados na luminosidade cintilante do lago, não reparamos nas ilhas e banhados ainda preservados na margem oposta. Mas, estes são fonte primordial de vida, creche para diminutos seres, girinos e alevinos, que se abrigam de correntes aquáticas adversas, e mamíferos, répteis e pássaros que ali se refrescam e encontram alimento fácil. Para nós, os banhados, além de fornecerem visuais lindos, nutrem ecossistemas produtivos e são reguladores e reservatórios hídricos. Como imensas esponjas naturais, absorvem, filtram, armazenam e disponibilizam água.

Já sobrevivente a dragagens e aterros, efluentes domésticos e industriais, o Delta vive sob o premente risco de ter seu nível alterado por rebaixamento do lençol freático adjacente ou ser acidificado e contaminado por pirita e misturas de até 170 minerais. Caso se concretize a Mina Guaíba com seus 4,5 mil hectares – 5 bairros Sarandi a somente 535 metros de suas margens, fragiliza-se mais a habitabilidade, o abastecimento de água, peixes, arroz e a pureza do ar regional.

Se tudo der certo, apesar de riscos inclusive mercadológicos, revira-se uma imensa área, emitem-se CO2 e particulados insalubres, gastam-se água e energia para produzir gás sintético, amônia, ureia, metanol, areia e cascalho convertidos em US$ 23 bilhões, que se esgotam em tão somente 20-30 anos. Se algo der errado, os prejuízos vão desde financeiros até o comprometimento, talvez súbito e irreversível, das condições de vida de toda região metropolitana.

Para que Porto não perca a alegria que lhe resta, fomentemos meios e fontes sustentáveis. Minerar carvão é coisa do passado, nessa dimensão e localização é coisa de louco!


Lara Lutzenberger
×
× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.