Com a Amazônia Queimamos o Brasil

Com a Amazônia Queimamos o Brasil

Lara Lutzenberger - Veiculado em Zero Hora em Agosto 2019 • 01/08/2019

Quantas vidas agonizam em suas labaredas? Quanta evolução volatiliza em instantes? O quanto nos aproximamos perigosamente de seu colapso e do nosso?

A Amazônia tem uma biodiversidade incalculável na sua extensão horizontal e vertical. Suas árvores, de tão gigantes, criam faixas de nichos ecológicos, como se fossem prédios cujos andares são ocupados por diferentes comunidades faunísticas e florísticas. Como não sentir admiração e reverência?

José Lutzenberger, meu ilustre pai, já alertava para isso nos anos 80 e instituições nacionais de pesquisa comprovam cientificamente, que a Amazônia em seus 8,5 milhões de km2 climatiza a Europa e o quadrilátero entre Cuiabá, São Paulo,
Buenos Aires e os andes, região que concentra 70% do PIB sul-americano e que está, na sua maior parte, localizado dentro do Brasil. Aí está seu grande valor econômico e social! A Amazônia de pé mantém as condições de vida e o polo econômico brasileiro pulsando. Se ela sucumbe, e esse risco existe, desertifica a região centro-sul brasileira, tornando a inóspita e improdutiva. Aliás, agrava-se, de imediato, o clima global, com o quanto de carbono que as queimadas projetam na atmosfera.

Dispomos de conhecimento e de equipamentos para monitorar e combater focos de destruição. Também é possível estabelecer alianças construtivas com os povos da floresta - uma riqueza cultural e antropológica adicional pouco reconhecida; para acessar valores humanos de sabedoria ancestral, para fomentar o extrativismo e turismo sustentáveis; para implementar reflorestamentos de madeiras nobres; para encontrar soluções orgânicas e não poluentes para crises adicionais que criamos no nosso mundo sintético; para estabelecer uma nova economia verde.

Chega de divagar na conspiração marxista que adota a causa ambiental como sua nova bandeira, no risco de internacionalização por interesses comerciais ou no saque por ongs. Chega de brincar com fogo!

É hora de ouvir quem estuda, quem conhece e quem vive na floresta para garantir sua integridade e a de todos nós.


Lara Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.