Acordo de Paris

Acordo de Paris

Lara Lutzenberger - Veiculado em ZH em Dezembro de 2018 • 01/12/2018

Apesar de ceticismo no aquecimento global, furacões e enchentes têm assombrado na potência. A cada novo e imprevisível episódio, milhares de pessoas e seus (sólidos) patrimônios são varridos da superfície, escancarando uma insignificância e vulnerabilidade, que não combinam com nossa imagem onipotente.

Alguns creem que essas mudanças são inerentes à evolução planetária. Entretanto, a Terra se diferencia por ter constituído processos de autorregulação no desdobramento evolutivo da vida, muito similar ao corpo humano e a forma com que este se mantém saudável. Os biomas revelam adaptações específicas e paisagísticas, que não apenas deslumbram na criatividade, mas também por serem vitais no provimento das condições essenciais de clima, água, solo e ar. Geleiras polares cumprem papel fundamental na dinâmica das correntes oceânicas, que dançando em par com as aéreas, se trasladam em piruetas até os andes, no sobe e desce da evapotranspiração e precipitação regidos magistralmente pela floresta amazônica. Lá chegando, a massa de umidade e calor se bifurca em dois leitos fluviais voadores, que aportam climatização para Europa e sul do Brasil. Prosseguir no desmatamento tropical e na queima irresponsável de combustíveis fósseis é certeza de colapso climático, da mesma forma que expor-se a condições extremas enferma e mata.

Para o enfrentamento de tamanho desafio, é fundamental acordarmos compromissos que redefinam globalmente o jogo de interesses econômicos. O Acordo de Paris foi estabelecido em 2015 e segue sem força. O Brasil, já sofrido pelo aumento brutal da criminalidade, deveria tomar a dianteira nesse movimento, buscando evitar o agravamento dos desafios e adquirindo uma imagem internacional exemplar.

Falamos das condições básicas de vida, especialmente a humana, independentemente de credo, nacionalidade ou condição social. Se chegarmos ao colapso ecológico, não haverá solução ideológica ou tecnológica que resgate!


Lara Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.