Natureza de Torres Está Ameaçada

Natureza de Torres Está Ameaçada

Lara Lutzenberger - Veiculado em Zero Hora em agosto de 2018 • 01/08/2018

Torres anda ameaçada! Como todo tesouro tornou-se desejo e cobiça!

Desde os anos 80 o afluxo de veranistas e residentes aumentou e a construção civil encontrou terreno fértil para desenvolver-se horizontal e verticalmente. O terreno é fértil, mas arenoso; e pode esvair-se com o vento!

O que dizer sobre a demolição crescente dos casarios - testemunhos charmosos de outros tempos; construções que quase transbordam os limites do seu terreno, desarmonizando o entorno; perspectiva de ampliação de 3 para 5 andares na zona 8 (quadras junto à orla da Praia Grande) e de um prédio à beira mar na Praia da Cal a apagar o entardecer das ondas no mar?

Não bastassem os congestionamentos, busca-se ampliar o acesso automotivo no Parque da Guarita com nova entrada lateral. O Parque da Guarita clama por um museu que nunca saiu do papel; necessita de melhorias estruturais na sua estrada circular interna e recuperação de trilhas erodidas no alto de suas torres – sim, as torres que dão nome à cidade! Como fazer mais um rasgo asfáltico, quando há tantas prioridades mais condizentes com o provimento de condições adequadas para a fruição desse espaço?

Será que no deslumbramento com as facilidades da modernidade estamos nos esquecendo dos recursos naturais e humanos que nos atraíram? Torres tem uma fisionomia geológica litorânea espetacular e uma dimensão urbana arejada e palpável. Seus paredões basálticos e parques com dunas e vegetação perfumada e retorcida; o morro do Farol; a vista ampla da Serra Geral, o recorte singular de suas 4 praias; a lagoa que lembra um violão e o rio no qual golfinhos e pescadores movimentam a divisa estadual, são os seus maiores atrativos! A cidade deve valorizá-los, não os sufocando com prédios que diminuem a percepção de sua magnitude ou desarmonizam seu traçado, com sombreamentos indesejados, adensamento, sujeira e motores poluentes!

Investindo em bela arquitetura, saneamento, produção agrícola e energética local, mobilidade não motorizada, natureza e cultura qualificamos as joias de Torres! Caso contrário, arriscamos perder esse tesouro!


Lara Lutzenberger
Presidente da Fundação Gaia – Legado Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.