E se Forem os Combustíveis?

E se Forem os Combustíveis?

Lara Lutzenberger - Junho de 2018 • 01/06/2018

Na paralisação dos caminhoneiros, cujos prejuízos produtivos e monetários são calculados na cifra dos bilhões de Reais e com faturas adicionais por vir, evidencia-se algo mais.

Primeiramente, a relevância que o transporte rodoviário adquiriu no Brasil para os sistemas de produção e distribuição de alimentos; commodities; produtos químicos; medicamentos; para a maquinaria rural e industrial, para o transporte coletivo e particular; gás para cozinha e aquecimento, bens. Nas cidades, foi-se do apoio inicial à apreensão pela sobrevivência, na medida em que água e alimentos escassearam. No campo, granjeiros conviveram com gritos agonizantes e a morte de animais famintos; milhares de litros de leite foram desperdiçados; frutas, verduras e até as flores murcharam. O Brasil foi tomado de desespero e dor, de norte a sul, no passar de poucos dias, melhor dizendo, de poucas horas! Paralisaram os caminhoneiros e o Brasil - um país de dimensão continental, viu seu pulso vital minguar.

Dessa vez, ligaram-se os motores e o Brasil ressuscitou! Um país mais fragilizado e capenga do que tínhamos; muitos tardarão para se recuperar, novos protestos e movimentos seguem à espreita, mas tudo retoma seu curso.

E quando cessar a abundância dos fósseis? Pudemos perceber o tamanho do impacto! Escancara-se a necessidade imperativa de fomentarmos outros meios de transporte; de repensarmos as cadeias produtivas – tornando-as mais diversificadas, integradas, complementares e próximas dos centros urbanos, valendo-se de energia eólica, solar, biogás e priorizando insumos locais; as cidades – contemplando o conjunto dos serviços em cada bairro e facilitando a acessibilidade por bicicleta; nossas atitudes – sendo mais frugais e colaborativos... Se repensamos diversos hábitos para fazer frente ao desafio que tivemos, por que não seguir fazendo-o? Precisamos diminuir a dependência do petróleo. Afora os impactos climáticos e poluentes, acabamos de ver o que mais pode nos acometer!


Lara Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.