Torres Sim, Mas de Rocha, Não de Concreto

Torres Sim, Mas de Rocha, Não de Concreto

Lara Lutzenberger • 01/03/2018

No cenário de Torres situam-se minhas mais preciosas lembranças de infância e adolescência. Nos anos 70 e 80, as únicas torres, e, portanto, as mais imponentes, eram o Morro do Farol e as da Guarita. No entardecer, veranistas reuniam-se no Hotel Farol para uma caipirinha, empadas de camarão ou um cafezinho no mesmo balcão em que era vendido um pão d’água e ‘de minuto’ que nunca vi igual em outro lugar. Circular de bicicleta com outras crianças, ou mesmo sozinha, não implicava em temor nenhum. O Parque da Guarita ainda não levava o nome do meu pai, mas era por ele valorizado e zelado, extasiando os visitantes.

Sigo fiel a Torres, apesar dos impactos sofridos por conta do estímulo desenfreado da construção civil que, em sua voracidade, já consumiu praticamente todas as residências tradicionais e reduziu as torres naturais a “morrinhos”. Quem hoje avista a cidade, vindo da BR 101 ou da Estrada do Mar, pode até pensar que o nome é uma alusão aos seus prédios. E o prejuízo não é apenas ambiental, estético e histórico: areia e mar sujos, congestionamentos, estabelecimentos lotados, barulho, insegurança crescem na mesma proporção dos espigões. Agora, como golpe fatal, soma-se a ameaça de liberar a construção destes nas primeiras quadras, junto à praia.

Torres ainda é nossa mais bela praia e pode melhorar o que não está bem. Com um planejamento urbano centrado na consolidação de uma cidade que reconhece seus patrimônios ambientais, arquitetônicos e culturais e que oferece estrutura adequada para o bem-viver, Torres preserva o que lhe resta e segue seu curso de forma convidativa. Incluem-se aí: valorização de sua história, manutenção de orla ensolarada e limpa, recuperação do Parque da Guarita, divulgação do Parque de Itapeva, consolidação de boas praças, diversificação de estabelecimentos comerciais e de lazer, bem como, de serviços médicos. Hoje há imobiliárias demais e padarias de menos; psicólogos demais e apenas um dermatologista, que também atende a municípios vizinhos.

Agora, se a ênfase seguir na construção predial, restará uma cidade sem atrativos e incômoda. Sobrarão os que não se importam com nada além de seu próprio umbigo e restará o luto daqueles que a conheceram em seu esplendor e reconheceram o seu valor.


Lara Lutzenberger
Presidente da Fundação Gaia – Legado Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.