Torres Sim, Mas de Rocha, Não de Concreto
Torres Sim, Mas de Rocha, Não de Concreto
Sigo fiel a Torres, apesar dos impactos sofridos por conta do estímulo desenfreado da construção civil que, em sua voracidade, já consumiu praticamente todas as residências tradicionais e reduziu as torres naturais a “morrinhos”. Quem hoje avista a cidade, vindo da BR 101 ou da Estrada do Mar, pode até pensar que o nome é uma alusão aos seus prédios. E o prejuízo não é apenas ambiental, estético e histórico: areia e mar sujos, congestionamentos, estabelecimentos lotados, barulho, insegurança crescem na mesma proporção dos espigões. Agora, como golpe fatal, soma-se a ameaça de liberar a construção destes nas primeiras quadras, junto à praia.
Torres ainda é nossa mais bela praia e pode melhorar o que não está bem. Com um planejamento urbano centrado na consolidação de uma cidade que reconhece seus patrimônios ambientais, arquitetônicos e culturais e que oferece estrutura adequada para o bem-viver, Torres preserva o que lhe resta e segue seu curso de forma convidativa. Incluem-se aí: valorização de sua história, manutenção de orla ensolarada e limpa, recuperação do Parque da Guarita, divulgação do Parque de Itapeva, consolidação de boas praças, diversificação de estabelecimentos comerciais e de lazer, bem como, de serviços médicos. Hoje há imobiliárias demais e padarias de menos; psicólogos demais e apenas um dermatologista, que também atende a municípios vizinhos.
Agora, se a ênfase seguir na construção predial, restará uma cidade sem atrativos e incômoda. Sobrarão os que não se importam com nada além de seu próprio umbigo e restará o luto daqueles que a conheceram em seu esplendor e reconheceram o seu valor.
Lara Lutzenberger
Presidente da Fundação Gaia – Legado Lutzenberger