Exército de Vaga-Lumes

Exército de Vaga-Lumes

Lara Lutzenberger - Jornal Correio do Povo, março de 2014 • 01/03/2014

‘O mundo mudou por nossa causa; chegou a nossa vez de mudar por ele.’ Este é o slogan do Prêmio José Lutzenberger de Jornalismo Ambiental, lançado em 20 de março, por iniciativa da Braskem, Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) e Associação Riograndense de Imprensa (ARI).

Sim, é mais do que tempo de traduzirmos a consciência ambiental em atitude! Uma atitude condizente com a preservação da capacidade do nosso planeta de sustentar a vida com qualidade, expressa em clima agradável, solos férteis, água límpida, ar puro e ambiente estimulante para o sentir-se bem individual e coletivo, inclusive o das demais espécies que o configuram sinergicamente conosco, 7 bilhões de seres humanos que somos hoje.

O jornalismo, como grande refletor da realidade e acelerador de tendências, cumpre um papel singular nesse movimento. É preciso jogar luzes sobre as inúmeras iniciativas que surgem na forma de atitudes ecocidadãs, ações empresariais, movimentos sociais e políticos visando uma reorientação mais construtiva de nossa sociedade cada vez mais globalizada em seus empreendimentos e impactos. São, por exemplo, escolas que mobilizam suas comunidades para a criação e manutenção de áreas verdes como espaços de convivência e promotores da paz; são indústrias que minimizam a geração de resíduos e que lançam produtos com menor demanda energética, duráveis e recicláveis; são leis que favorecem a viabilidade econômica e social de uma produção agrícola diversificada e ecologicamente inserida nas paisagens; ou ainda, regulações que podem inverter a situação atual, em que é mais econômico derrubar a Amazônia para plantar soja, e apenas soja, do que manejá-la com reverência, como expressão máxima da biodiversidade tropical e agente vital de macrorregulação climática.

Felizmente, exemplos abundam.

Mas, como diz um provérbio budista: ‘a árvore que cai faz muito mais barulho do que a floresta que cresce.’ Essa última tende a se estabelecer não só de forma silenciosa como muito mais lenta também. Porém, se tivermos um exército de vaga- lumes, guiado pelo espírito de ‘Lutz’, a iluminar essa floresta crescente e a divulgar o mundo encantado de flores, frutos e seres mágicos que esta abriga, certamente estaremos dando um importante impulso para reverter o quadro atual, em que escutamos tantas árvores tombando e, em que, mais do que nunca, é preciso mudar para o bem do mundo e de todos nós.


Lara Lutzenberger - Prasidente da Fundação Gaia - Legado Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.