Desenvolvimento Sustentável, Muito Prazer

Desenvolvimento Sustentável, Muito Prazer

Lara Lutzenberger - Outubro de 2005 • 01/10/2005

Visões, idéias, conceitos, nascem, amadurecem e se consolidam culturalmente num processo que em nada se diferencia da dinâmica evolutiva do mundo natural. Primeiro um lampejo, um broto, um suspiro! Mais adiante um raio, uma mudinha, um rascunho que se esboça na linguagem de algumas tribos.

Um pouco mais além, já é um estrondo, uma jovem planta reprodutiva, uma expressão que soa bem de boca em boca. Até que chega a tempestade, cresce a floresta e a humanidade orienta seu pensamento por um novo paradigma. Passada a tempestade, rearranjam-se as paisagens recém lavadas e escovadas, às vezes escabeladas; na floresta, pipoca um número efervescente de espécies que barganha novos espaços edificados do solo ao dossel, e na não menos rica sociedade humana, o conceito disseminado carece de uma dissecação na sua multiplicidade de interpretações, se se quer identificar seu significado mais puro.

De expressão que melhor sintetizava as propostas elaboradas no 1° Encontro da ONU sobre Meio Ambiente em 1972, ‘Desenvolvimento Sustentável’ tornou-se o slogan ativista da Eco 92, incorporou o palavrear bonito dos discursos políticos, caiu na boca do povo e, claro, no percurso sofreu plásticas e remendos que o deixaram com a carinha bastante diferente daquela do berço.

A idéia era defender políticas embasadas em uma análise igualitária dos aspectos ambientais, sociais e econômicos que promovessem a melhoria das condições de vida, sem comprometer as gerações futuras. Na prática, não só super-valorizamos os aspectos econômicos, como também, sub-estimamos a dimensão ambiental, via de regra relegando a esta cuidados pontuais, quando possível, de áreas naturais evidentemente privilegiadas, ou o plantio de árvores urbanas, entre outras iniciativas do estilo.

O Furacão Katrina fez um corte raso na floresta econômica mais pujante, escancarou a precariedade com que estruturamos nossa sociedade, e chacoalhou violentamente nossas idéias. No processo de re-sedimentação intelectual, aflora a compreensão de que o arranjo social e econômico, antes de estar em pé de igualdade, se subjuga às condições ambientais sobre as quais se estrutura e é tanto mais sustentável quanto mais se sintonizar e promover a integridade planetária; que já acena com um novo lampejo no horizonte.


Lara Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.