Wangari Maathai: Primavera da Humanidade

Wangari Maathai: Primavera da Humanidade

Lara Lutzenberger - para Revista Conexão Social, outubro de 2004 • 01/10/2004

Sob um espírito tipicamente primaveril, as árvores rebrotam no frescor de tenras folhas verdes e um palco multicolorido de flores e frutos inspira revoadas inteiras de pássaros em lua-de-mel a musicalizar e a coreografar as alegres melodias da vida. Em um gigantesco espetáculo multidimensional de luz, som e movimento que hipnotiza e revigora nossos sentidos, a natureza renova sua expressão de infinita criatividade a cada nova primavera!

Gigantesco espetáculo?! Luz, som, movimento envolventes?! Coreografias criativas?! Onde? No Teatro São Pedro? Onde mesmo? Ao seu lado, à sua frente, no seu entorno!!! Pare, e olhe com atenção...

Estamos tão absorvidos em nossa realidade e mentalidade urbana que deixamos de perceber o espetáculo da vida em sua integridade. Ficamos aturdidos, surdos, cegos e insensíveis ao grande show que nos cerca naturalmente, em uma vasta programação que se desenrola ciclicamente ao longo das estações e ao ritmo da constante alternância dia-noite-dia-noite-dia- noite... E, assim, deixamos também de perceber os sinais, os gritos de socorro da nossa Terra! Nossos próprios gritos de socorro se esvaecem numa rotina atordoante e dissociada da essência de nossas vidas: nossa natureza!

Mas é primavera; momento de renascer, de repensar, de recomeçar... E a outorga do Nobel da Paz para a ambientalista queniana Wangari Maathai sinaliza novos tempos promissores. Um tempo em que a Humanidade, cujos primeiros passos se deram coincidentemente (ou não!) exatamente no mesmo continente onde vive Wangari, parece reconhecer a necessidade de resgatarmos a sabedoria de nossos povos ancestrais que reconhecia o sagrado, o divino na Natureza que nos integra. E, que não nos permitia a insensibilidade suicida que impera em nossos tempos. Viva a primavera, viva Wangari Maathai!


Lara Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.