Complexo Cultural

Complexo Cultural

Lara Lutzenberger - junho 2006 • 01/06/2006

A cultura, die Kultur, the culture, ... Surpreende a identidade ortográfica, não obstante tratar- se de línguas e culturas diferentes! Aliás, não somente são distintos os traços culturais que identificam cada povo, como também são diferentes os que caracterizam épocas, e diferentes são os significados que atribuímos a c u l t u r a.

Em sua interpretação mais ampla, compreende o conjunto de valores morais, de hábitos, de crenças e de formas de expressão que dão unidade e identidade a um coletivo. Mas podemos, também, limitar sua abrangência semântica à face artística ou ritualística das sociedades. Projetos de fomento à música, teatro, artes plásticas, dança, resgate de ritos, são típicos projetos culturais.
Erudição é um significado adicional atribuído à palavra. Uma pessoa culta é percebida como uma pessoa esclarecida, que se destaca na amplitude de seus conhecimentos e experiências.

Na verdade, não se trata tanto de significados diferentes, mas de compreensões mais ou menos abertas. Os rituais e as artes, apesar de não resumirem a complexidade cultural em si, expressam criativa e intuitivamente, a essência de um tempo e de uma sociedade, adotando formatos e linguagens condizentes com o seu momento. Daí também a percepção disseminada de que culto, não é aquele coerente com sua cultura, mas, sim, aquele que percebe e partilha sua dimensão maior.

Uma dimensão cuja amplitude só deveria crescer na diversificação de adaptações e interpretações humanas a diferentes realidades sócio-ambientais evolutivas, ou seja, carentes de sempre novas adaptações e interpretações, que se somam no espaço e no tempo. E nem só humanas: abelhas, algas, até mesmo bactérias, têm sua própria cultura – mais rudimentar, é certo, mas não é por nada que falamos em ‘caldo de cultura’, quando nos referimos às condições que devemos atentar para procriar outras espécies!

Mas existe a possibilidade também de, sim, reduzirmos sua dimensão potencial, equiparando diferentes culturas, não somente em sua ortografia, como em sua expressão, através da crescente globalização homogeneizadora. Ao final, cultura, Kultur, culture podem se igualar em uma única expressão mercantilista e se consumir mutuamente.
Seria o fim da cultura, ou melhor, o fim do mundo!


Lara Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.