Febre? EU?

Febre? EU?

Lara Lutzenberger - Março de 2005 • 16/03/2005

Imagine o Saara coberto por extensas pastagens sombreadas por oliveiras carregadas de azeitonas bem gorduchas. Ou gado disputando pastos na Groenlândia!? Ou ainda, uma paisagem árida sobre os nossos campos sulinos? Loucura?? Hmmm... não é a primeira nem será a última vez que a realidade supera a melhor das ficções. Nas páginas do álbum planetário há imagens milenares do Egito e da Groenlândia verdejantes e do nosso pampa vestido de estepe seca. Alterações climáticas ocorrem de verdade, sim, e, o que é pior, ocorrem de forma súbita, sem grandes alardes prévios. Lembra do mamute mumificado na nevasca inesperada?

É verdade que em vantagem disparada em relação ao mamute, nós dispomos de um invejável arsenal de conhecimentos e ferramentas que nos permite perceber o rumo das coisas com certa definição! Conseguimos prever com vários dias de antecedência se teremos sol e se as temperaturas variarão entre 5 – 15°C. Em mãos de registros históricos e simulações computadorizadas podemos até conjeturar sobre as macro-tendências climáticas.

Pois é, mas justamente essa facilidade tem nos evidenciado sinais de que o clima está desgovernando-se, e, pior, em decorrência da direção equivocada que nós mesmos impomos ao planeta! E , agora? Que fazer para sair dessa em melhores condições que nosso finado mamute?

Pois atrevo-me a dizer que o que precisamos é de uma boa pastilha de ‘sifragol’ com anti- térmico! Isso mesmo!! Precisamos adotar uma postura mais humilde e reduzir a febre por detrás da alucinação coletiva que se curva passivamente diante das maravilhas tecnológicas que reinventam o mundo, mas também o nocauteiam, criando efeitos nefastos sobre o equilíbrio planetário.

Sob a égide de nossa arrogância e confusão febril, tendemos a privilegiar a criação de novas tecnologias de saneamento, ao invés de rever as primeiras em sua concepção e uso. Se o uso de CFCs criou o buraco de ozônio que queima nossa pele, criamos protetores solares; se os poluentes aumentam a incidência de câncer na população, inauguramos centros terapêuticos especializados; se falta chuva, bombardeamos nuvens até que elas se esvaeçam sobre nós; e, assim, vamos criando sempre novas tecnologias para enfrentar os impactos das anteriores.

Isso, até o dia em que o mundo nos congelará como ao mamute! Ah.., mas aí já teremos avançado na criotecnologia, que nos permitirá a ressurreição em tempos mais afáveis, não é mesmo?!


Lara Lutzenberger
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× Projeto Gaia Village

Projeto Gaia Village

Gaia Village é um projeto de caráter privado com foco em sustentabilidade, que se desenvolve a partir de uma área pristina no município de Garopaba-SC. Ambiciona criar um exemplo de assentamento humano sustentável, um ambiente amigável para a interação entre a espécie humana e o todo — o Sistema Vivo Gaia.

As primeiras formulações para a concepção desse projeto foram feitas pelo professor José Lutzenberger, em 1997. O objetivo é propor, planejar, implementar e demonstrar soluções ambientalmente responsáveis, em direção a um desenvolvimento sustentável.

Consubstanciado fisicamente na propriedade da família Werlang e de sua empresa G.A. Werlang — Gestão e Ambiente Ltda., localizada junto à Praia do Ouvidor, Praia da Barra e Lagoa da Garopaba, no município de Garopaba, sul do estado de Santa Catarina, o projeto se estrutura a partir da concepção de vida pessoal de Carmen e Gastão Avelino Werlang, que já nos anos 60 promoviam ações com vistas à preservação ambiental.

O projeto, com iniciativas em curso em sua sede e junto às diversas comunidades do município de Garopaba, se expande por meio da construção e consolidação de redes e parcerias com indivíduos, comunidades, organizações não governamentais e órgãos do governo.

× Agricultura Regenerativa

Agricultura Regenerativa

A Agricultura Regenerativa consiste em promover a produção de alimentos saudáveis, a criação de ciclos fechados de geração de insumos a partir de resíduos e a aplicação no campo de práticas conservadoras da natureza.

Projeto: "Capacitação de Agricultores Familiares como Promotores da Agricultura Regenerativa no Rio Grande do Sul / 1997 - 1999"

Iniciamos um novo projeto de atuação junto a agricultores familiares do Estado do Rio Grande do Sul com aprovação parcial de orçamento por parte da instituição alemã Heinrich-Böll-Stiftung. Desta vez, selecionamos as propriedades que melhor responderam às nossas expectativas no projeto anterior para o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e, principalmente, para a realização de um treinamento direcionado à formação de alguns agricultores, como promotores da agricultura orgânica, garantindo a continuidade do processo, mesmo sem nosso envolvimento direto.

Concomitantemente, trabalharemos para a consolidação de algumas propriedades como referência em agricultura orgânica, nas quais se verificará o uso exclusivo de métodos regenerativos de cultivo.

Tratam-se de 163 famílias, em torno de 560 pessoas, distribuídas em 12 comunidades diferentes e organizadas em cooperativas ou associações. O grupo inclui agricultores de origem alemã, italiana, indígena, bem como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra.

Neste primeiro ano realizamos os primeiros Encontros de Formação de Promotores Agroecológicos, abordando inicialmente conhecimentos agrícolas amplos para a compreensão do processo de produção. Na realização de cada módulo é finalizado com participantes uma apostila que deverá servir de material didático para os futuros promotores. Por demanda dos próprios agricultores, daremos ênfase às questões de oratória e desinibição na próxima fase.