Febre? EU?
Febre? EU?
É verdade que em vantagem disparada em relação ao mamute, nós dispomos de um invejável arsenal de conhecimentos e ferramentas que nos permite perceber o rumo das coisas com certa definição! Conseguimos prever com vários dias de antecedência se teremos sol e se as temperaturas variarão entre 5 – 15°C. Em mãos de registros históricos e simulações computadorizadas podemos até conjeturar sobre as macro-tendências climáticas.
Pois é, mas justamente essa facilidade tem nos evidenciado sinais de que o clima está desgovernando-se, e, pior, em decorrência da direção equivocada que nós mesmos impomos ao planeta! E , agora? Que fazer para sair dessa em melhores condições que nosso finado mamute?
Pois atrevo-me a dizer que o que precisamos é de uma boa pastilha de ‘sifragol’ com anti- térmico! Isso mesmo!! Precisamos adotar uma postura mais humilde e reduzir a febre por detrás da alucinação coletiva que se curva passivamente diante das maravilhas tecnológicas que reinventam o mundo, mas também o nocauteiam, criando efeitos nefastos sobre o equilíbrio planetário.
Sob a égide de nossa arrogância e confusão febril, tendemos a privilegiar a criação de novas tecnologias de saneamento, ao invés de rever as primeiras em sua concepção e uso. Se o uso de CFCs criou o buraco de ozônio que queima nossa pele, criamos protetores solares; se os poluentes aumentam a incidência de câncer na população, inauguramos centros terapêuticos especializados; se falta chuva, bombardeamos nuvens até que elas se esvaeçam sobre nós; e, assim, vamos criando sempre novas tecnologias para enfrentar os impactos das anteriores.
Isso, até o dia em que o mundo nos congelará como ao mamute! Ah.., mas aí já teremos avançado na criotecnologia, que nos permitirá a ressurreição em tempos mais afáveis, não é mesmo?!
Lara Lutzenberger